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Dream Teens Aventura Social

O Dream Teens é uma rede de 106 jovens líderes (entre os 11 e os 19 anos), que juntamente com a equipa de apoio formada por especialistas, constitui uma rede a nível nacional.

As Sementes de 2016 e as Eleições em 2017

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“Se assumires que não há esperança, irás garantir que não haverá esperança. Se assumires que existe um instinto pela liberdade, que existem oportunidades para mudar as coisas, então existe a possibilidade de que podes contribuir para um mundo melhor.” –Noah Chomsky

 

 2016 pode ter acabado, mas as sementes que deixou no solo germinarão em 2017. Algumas dessas sementes são positivas, como a vitória de António Guterres para secretário-geral da Organização das Nações Unidas, mas outras olho com receio, como a vitória de Donald Trump para o cargo de presidente dos Estados Unidos da América. Os eventos que marcaram 2016, para o bem ou para o mal, não nos abandonarão este ano. Vamos continuar a ouvir sobre Brexit, sobre Trump, sobre qualquer temática predominante no ano anterior. Para além do desenvolvimento dos momentos marcantes do ano anterior, temos conhecimento de eventos dos quais irão dar que falar este ano, como as eleições francesas, que podem manter ou quebrar com a União Europeia dependendo do resultado. Depois também existem os eventos que poderão surgir de surpresa pelo ano dentro, que podem ser bons ou maus. Estamos a navegar em águas desconhecidas, temos um bom pressentimento sobre certas situações, outras pelo contrário, e umas tantas das quais não fazemos ideia.  

 Este ano, em Portugal, temos as eleições autárquicas. Estas vão decorrer próximas do final do ano — o site do CNE (Comissão Nacional de Eleições) aponta para setembro ou outubro — mas não considero que seja cedo demais para apelar ao voto. Estas eleições não têm a projeção internacional das eleições francesas, especialmente quando está também em jogo o futuro da UE, contudo as autárquicas são uma oportunidade para fazermos a diferença no local onde vivemos. Rejeito a visão de que todos os políticos sejam iguais, por isso considero importante a pesquisa sobre os partidos e as forças independentes candidatas, para saber os seus princípios, o seu passado, o que estão a fazer atualmente, e o que prometem para o futuro. Após essa análise, será mais fácil escolher uma candidatura conforme os ideais de cada um. Ainda assim, no cenário em que alguém não se revê num dos partidos nem nas forças independentes, o voto em branco é uma opção, pois será um voto que não fará parte da abstenção e será um voto de protesto, não de indiferença.

 Acho importante que os jovens tenham noção do direito ao voto, pelo que defendo duas medidas nacionais: o voto a partir dos 16 anos de idade e o apelo ao voto nas escolas a partir do 9º ano de escolaridade. A voz dos jovens é importante ser ouvida em todo o lado, por isso esta pode e deve ser expressada nas urnas.

 Nos últimos anos, Portugal tem tido uma abstenção elevada nos momentos eleitorais. Este ano, podemos fazer a diferença e votar. Não resolve tudo no mundo, mas fizemos o que estava ao nosso dispor. Isto é o que é importante.

 

Desejo a todos um excelente 2017.

-Manuel Magalhães

(Fonte da Imagem: http://www.motherearthnews.com/~/media/Images/MEN/Editorial/Articles/Magazine%20Articles/2003/10-01/Grow%20Your%20Own%20Seeds/grow-your-own-seed.jpg?h=364&la=en&w=550&hash=17233DA402961709219E4FCE4773DB8E6019D937)

ELEIÇÕES, DESILUSÕES E LIÇÕES

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Existem dias maus, suportáveis, mas maus. Depois existem dias como o de hoje, dias em que se erguem muralhas, se fecham janelas e se trancam portas.
Disse, Einstein, da ciência e do exacto, da lógica e do racional, que, e cito, “Há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana”. Hoje, num ato que teve pouco a que se possa chamar de racional, a estupidez humana viu-se infinita, como já não se afirmava há algum tempo.
Era de manhã e parecia que tudo se integrava na rotina diária, quando me deparei com a notícia de que tinha sido lançada uma nova bomba: a vitória de donald j. trump (e que se faça do seu nome algo tão pequeno quanto os seus ideais). Desde então que sinto a necessidade de expressar o que sinto e o que penso, de gritar, mesmo sabendo e tendo hoje confirmado que o mundo é feito de surdos. Infelizmente, hoje foi dos dias em que mais me faltaram as palavras, pelos motivos também, infelizmente, mais óbvios.
Se existe algo que aprendi com o tempo é que temos de saber lidar com as desilusões, mas nunca me ensinaram a lidar com isto. Um líder, por si só, é o reflexo daqueles que o elegeram e eu, principalmente enquanto mulher e posteriormente enquanto Homem, recuso-me a aceitar que uma grande parte da população mundial ainda se faça reger por pensamentos e acções machistas, xenófobos, homofóbicos, transfóbicos, racistas, entre tantos outros semelhantes ou superiormente ignorantes. Como pôde Trump chegar e, além de marcar presença, ficar? Como pôde uma campanha eleitoral que tinha tudo para ser ruidosa, fazer mais do que apenas barulho de fundo e chamar tanta gente para a ouvir e seguir? Entre nacionalismos e desejos de voltar aos “bons velhos tempos”; entre falta de identidades e facilitismo perante influências; entre aquilo que os Media dizem e aquilo que incutem. Entre estes e outros mares de opiniões e mentes, estão os votos que deram a vitória a trump. Estão os votos que derrotaram Democratas e aquilo que restou de um mundo consciente e, agora, receoso.
Parece-me que a partir deste momento vivemos num mundo de extremos, numa transformação constante entre a comédia e o terror, mas numa construção crescente de ódio e medo. Vejo-me dentro de uma máquina do tempo, que para além de nos fazer recuar vários anos, faz com que tantas lutas e conquistas pela igualdade sejam, agora, suprimidas. Ao mesmo tempo, vejo erguerem-se, de novo, guerras contra estes mesmos direitos e, eventualmente, outras tanto ou mais violentas e abrangentes.
Para finalizar a onda de contradições que até agora tem sido de difícil compreensão, deixo a notícia de que, também hoje, foi dia de comemoração dos 27 anos desde a queda do muro de Berlim, enquanto é prometida a construção de outros tantos que demarcam, não só, a divisão entre o homem branco, heterossexual e preconceituoso de todos os outros que lhe são diferentes, como também a divisão entre diferentes nações.
Sinceramente não sei o que é pior: se a construção de muros físicos ou a construção de muros mentais. E questiono, por último, quantos de nós ainda têm voz para se juntar ao grito que quer, apesar de tudo, sempre crescer.

- Sara Fialho e Teresa Carreira

(Fonte da imagem: https://www.facebook.com/comunidadeculturarte/photos/a.863113933715140.1073741828.863016237058243/1503365293023331/?type=3&theater)

Trump como Presidente

 

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 A vitória de Donald Trump representa uma ameaça em vários sentidos, para os EUA e para o mundo: o temperamento dele poderá colocar em xeque acordos históricos, como o acordo nuclear do Irão e o fim do embargo Cubano. Ele vai rejeitar metas ambientais, ameaçar a segurança de grupos minoritários, entre outras ações reprováveis. Muitos dos seus apoiantes vão sentir legitimados para provocar crimes de ódio devido à eleição de Trump e o seu discurso.

 As sondagens indicam que o voto branco foi o principal impulsionador da conquista de Trump. Ele passou uma mensagem de que os bons velhos tempos voltariam com ele, com empregos e segurança, e que, para o fazer, seria preciso acabar com o “politicamente correto”, não poupando em insultos e incentivos contra as minorias. A comunidade negra e a comunidade latina praticamente não votaram em Trump porque sabiam tornar-se-iam bodes expiatórios caso ele ganhasse, mas infelizmente o voto da população branca foi suficiente para conseguir dar a Donald Trump o lugar de presidente.

 De futuro há certas coisas que podem ser feitas para evitar a ascensão de “futuros Trumps” para o cargo de presidente. Uma delas é a abolição do colégio eleitoral, que tem um dado número de representares em cada estado. Mais pessoas votaram na Hillary Clinton do que no Donald Trump, mas como mais representantes do colégio eleitoral votarão em sentido do Trump, ele acabou por ganhar as presidenciais. Não faz sentido que o candidato com mais votos não fique presidente. Outra é nunca ignorar e nunca esquecer quando um futuro candidato tem uma conduta imprópria, por muito repetitivo que seja, repudiando e não dando o nosso voto. As restrições de voto aplicadas em alguns estados impedem grupos minoritários de votar e o facto de não haver tolerância de ponto no dia de voto são fatores que impactam o resultado da votação, por isso sugiro que estas restrições sejam levantadas e que seja concedido o dia para os trabalhadores irem votar. Finalmente, o partido Democrata deve analisar o que correu mal com a sua estratégia e pensar em algo diferente.

Inevitavelmente teremos quatro anos de Trump, mas a bola está no lado dos EUA para que não tenhamos oito anos de Trump.

-Manuel Magalhães

 

(Fonte: http://www.slate.com/content/dam/slate/articles/news_and_politics/politics/2016/04/160422_POL_Donald-Trump-Act.jpg.CROP.promo-xlarge2.jpg)

Contatos

Email: dreamteensaventurasocial@gmail.com Tel: 214 149 152

Quer saber mais sobre o DREAM TEENS?

Com início em março de 2014, o Dream Teens (DT) faz parte do projeto Aventura Social, sob a coordenação da Professora Doutora Margarida Gaspar de Matos (Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa), em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde. O Dream Teens é uma rede de 106 jovens líderes (entre os 11 e os 19 anos), que juntamente com a equipa de apoio formada por especialistas, constitui uma rede a nível nacional. O objetivo desta rede é estimular nestes jovens o sentimento de responsabilidade, liderança, empreendedorismo e autonomia, para que possam transformar os seus sonhos e ideias em projetos concretos. No Dream Teens os jovens líderes tem mais voz, e estas vozes motivam mais e mais jovens portugueses principalmente através de ações que estimulam a participação social e cívica.

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